Por Camila Mendes, Mtb nº: 74627/SP.

Participação em programa de inclusão evidencia o papel do Sindicato na construção de ambientes de trabalho mais acessíveis, humanos e igualitários
A inclusão verdadeira acontece quando a sociedade deixa de enxergar limitações e passa a reconhecer potencialidades. Foi justamente essa reflexão que marcou a sétima atividade do Programa de Inclusão e Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, promovido pelo Espaço Cidadania de Osasco, realizada na última quarta-feira (03).
Representando o Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região (SUEESSOR), o presidente Antonio Gervásio Rodrigues participou da roda de conversa acompanhado do assessor Vinicius Gonçalves, da CavWork. O encontro reuniu lideranças sindicais, representantes do poder público, especialistas, empresas, pessoas com deficiência e profissionais comprometidos com a construção de uma sociedade mais inclusiva.
Com o tema “Capacidades Além dos Rótulos” – a atividade foi conduzida pelo Instituto Equidade Plural (INSEP) e teve como objetivo principal desconstruir mitos relacionados ao capacitismo no ambiente de trabalho, apresentando experiências concretas de inclusão profissional por meio do programa TechSampa Inclusiva.
A abertura contou com a participação de Carlos Aparício Clemente, coordenador do Espaço Cidadania de Osasco; José Elias Góis, presidente do Conselho Intersindical de Seguridade e Saúde de Osasco e Região (CISSOR); Dra. Deise Canhisares Gomes da Silva, gerente regional do Trabalho e Emprego em Osasco; e da jornalista Nancy Nasser, integrante do Conselho do Trabalho e Renda de Osasco e integrante da Comissão de Direito Sindical da OAB Osasco.
Tecnologia, qualificação e oportunidades: inclusão que gera resultados
Durante a atividade, a Gerente de Projetos, Andressa Lucena, e o Especialista em Acessibilidade, Flavio Correia, ambos deficientes visuais e representantes do INSEP, apresentaram os resultados do programa TechSampa Inclusiva, iniciativa que acaba de concluir sua primeira turma. Ao todo, 50 alunos receberam formação técnica voltada à inserção qualificada no mercado de trabalho, com capacitação nas áreas de Design, Qualidade de Software (QA) e Governança, demonstrando que inclusão e desenvolvimento profissional podem caminhar lado a lado na construção de oportunidades concretas.
Os dados apresentados demonstraram um aspecto especialmente relevante: 58% dos participantes inscritos são mulheres.
Para o SUEESSOR, “a informação reforça a necessidade de políticas que contemplem simultaneamente gênero e inclusão, reconhecendo que mulheres com deficiência enfrentam desafios ainda maiores para acessar oportunidades de trabalho e desenvolvimento profissional”.
A realidade dialoga diretamente com a atuação sindical desenvolvida pelo SUEESSOR ao longo dos anos. A entidade tem defendido, nas negociações coletivas, cláusulas voltadas à proteção das mulheres trabalhadoras, à promoção da igualdade de oportunidades e ao fortalecimento de mecanismos que garantam ambientes laborais mais inclusivos.
O vice-presidente do SUEESSOR, Juarez Henrique de Paulo, destaca que a pauta da inclusão não é recente dentro da entidade.
“O SUEESSOR está entre os sindicatos pioneiros na defesa da inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Sempre entendemos que a inclusão não pode ser tratada apenas como cumprimento de cotas, mas como uma política permanente de valorização humana, respeito às diferenças e reconhecimento das capacidades de cada trabalhador” – afirmou.
Quando a deficiência é invisível, o desafio também é ser reconhecido
Um dos momentos mais significativos do encontro foi o depoimento do presidente do SUEESSOR, Antonio Gervásio Rodrigues, que compartilhou sua experiência pessoal convivendo com uma deficiência auditiva parcial.
Antonio relatou os desafios enfrentados por pessoas que possuem limitações que nem sempre são percebidas ou compreendidas socialmente. Segundo ele, muitas vezes a ausência de reconhecimento da deficiência gera barreiras silenciosas, que impactam a comunicação, a convivência e até mesmo as oportunidades profissionais.
Sua fala trouxe uma reflexão importante sobre as chamadas deficiências invisíveis e a necessidade de ampliar a compreensão social sobre as diferentes formas de acessibilidade.
Mais do que adaptações físicas, a inclusão exige sensibilidade, empatia e disposição para compreender realidades distintas.
“A deficiência não define a pessoa”
Outro depoimento que emocionou os participantes foi o de Jonas, pessoa com deficiência visual, que apresentou uma visão moderna e transformadora sobre inclusão.
Segundo ele, a deficiência não deve ser encarada apenas como uma limitação, mas como uma característica humana que precisa ser considerada na estruturação dos ambientes, das relações e das oportunidades.
A fala foi amplamente elogiada pelos presentes por deslocar o foco da deficiência para as barreiras criadas pela própria sociedade.
Entre as autoridades presentes estava a Dra. Vera Lucia Leite Olive, presidente da Comissão de Inclusão da Pessoa com Deficiência da OAB Osasco, que destacou a importância da reflexão apresentada.
Em conversa com o jornalismo do SUEESSOR, Dra. Vera ressaltou que o entendimento exposto por Jonas está alinhado à legislação brasileira e à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A deficiência é algo inerente à pessoa, assim como a cor da pele ou o gênero. O que determina a inclusão ou a exclusão são os fatores externos, a forma como a sociedade responde às diferenças. Não é uma questão individual. É uma responsabilidade coletiva”, destacou.
Para Antonio Gervásio Rodrigues, esse foi, sem dúvidas, um dos momentos mais emocionantes de toda a atividade.
Um reencontro que simboliza décadas de luta pela inclusão
A emoção tomou conta do encontro quando Dra. Vera relembrou uma entrevista publicada no livro “Vencendo Barreiras – Histórias de Superação e Inclusão da Pessoa com Deficiência”, lançado em 2001 pelo Espaço Cidadania de Osasco, obra da qual é coautora.
Na publicação, uma família de Itapevi relatava sua luta para garantir inclusão e oportunidades para seus dois filhos com deficiência visual.
Mais de duas décadas depois, os dois irmãos estavam presentes no evento.
Agora adultos, formados e em busca de oportunidades profissionais, representam o resultado concreto da persistência familiar e das políticas de inclusão defendidas ao longo dos anos.
Carlos Aparício Clemente, coordenador do Espaço Cidadania, não escondeu a emoção ao reencontrar os jovens que conheceu ainda crianças durante a produção do livro.
O momento simbolizou o impacto de iniciativas que, embora iniciadas há décadas, continuam transformando vidas e inspirando novas gerações.
Inclusão também é dar voz às histórias de superação
A construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva passa, necessariamente, pelo reconhecimento e pela valorização de histórias que, por diferentes razões, permaneceram silenciadas ao longo do tempo. Em sintonia com o espírito de inclusão, diversidade e respeito às trajetórias humanas que marcou toda a roda de conversa, Dra. Vera compartilhou com os participantes uma prévia da coletânea “Mulheres Sobreviventes à Violência: Estamos Vivas e Podemos Contar Nossa História”, obra que será lançada pela OAB Subseção Osasco, por meio da Comissão de Apoio à Mulher Advogada Vítima de Violência Doméstica e Familiar.
Ao apresentar a iniciativa, Dra. Vera destacou que a inclusão também passa pela garantia de voz e visibilidade a pessoas que tiveram suas experiências invisibilizadas. A obra reúne relatos de mulheres que enfrentaram a violência doméstica e familiar e decidiram transformar suas histórias em instrumentos de conscientização, acolhimento e fortalecimento de outras mulheres.
Entre as coautoras estão a própria Dra. Vera Lucia Leite Olive e a jornalista do SUEESSOR, a advogada Camila Mendes, que também atua como assessora de comunicação da Comissão de Apoio à Mulher Advogada Vítima de Violência Doméstica e Familiar.
Para o presidente do SUEESSOR, a lembrança da obra durante um encontro dedicado à inclusão foi especialmente significativa, pois reforça que promover inclusão significa reconhecer a pluralidade das experiências humanas, garantindo espaço, visibilidade e respeito para todas as pessoas, especialmente aquelas que historicamente enfrentaram barreiras para serem ouvidas.
O lançamento da obra está previsto para agosto, juntamente com as atividades do “Agosto Lilás” prevista para ocorrer juntamente com as atividades do Agosto Lilás.
Compromisso permanente
Ao participar de mais uma edição do Programa de Inclusão e Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, o SUEESSOR reafirma seu compromisso histórico com a defesa da dignidade humana, da igualdade de oportunidades e da construção de relações de trabalho mais justas.
“Mais do que cumprir legislação, incluir significa reconhecer talentos, eliminar barreiras e criar condições para que todas as pessoas possam desenvolver plenamente suas capacidades. Uma missão que o SUEESSOR segue defendendo diariamente, seja nas mesas de negociação, na atuação sindical ou nos espaços de diálogo que ajudam a transformar a sociedade” – finalizou Gervásio.












