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MULHERES SINDICALISTAS SE UNEM EM OSASCO CONTRA OS IMPACTOS DA ESCALA 6X1 E DEFENDEM JORNADAS MAIS HUMANAS

Por Camila Mendes, Mtb nº: 74627/SP.

Na manhã de ontem (13), o Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região – SUEESSOR promoveu um importante encontro regional de mulheres sindicalistas, reunindo dirigentes de diversas categorias em um amplo debate sobre saúde mental, sobrecarga feminina, flexibilização da jornada de trabalho e fortalecimento da participação das mulheres no movimento sindical.

O encontro ocorreu na sede do SUEESSOR e contou com a presença das diretoras do sindicato, Amélia Pereira Matos, Geni Santos Nascimento e Luciana Pereira Santos, além da assessora de sindicalização Maria Cristina Porto. Também participaram representantes do Sindicato dos Comerciários, SINTRATECOR, Sindicato dos Químicos Unificados, Sindicato dos Sapateiros, Marcha Mundial das Mulheres e Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região.

Abrindo os trabalhos, Ana Rapini, Secretária-Geral do Sindicato dos Comerciários de Osasco, destacou a relevância da união das mulheres sindicalistas em um ambiente historicamente marcado pela predominância masculina.

“Fortalecer esses espaços de discussão é fundamental. As mulheres precisam ocupar os locais de decisão e construir coletivamente políticas que atendam às necessidades reais das trabalhadoras” – ressaltou.

Ao longo da reunião, depoimentos emocionados marcaram as discussões sobre os impactos da escala 6×1 na vida das mulheres trabalhadoras, especialmente diante da chamada dupla jornada, uma realidade enfrentada diariamente por milhares de mulheres que acumulam o trabalho profissional com responsabilidades domésticas, cuidados com filhos, idosos e a manutenção da rotina familiar.

As participantes destacaram que a escala 6×1 reduz drasticamente o tempo de descanso, convivência familiar, qualificação profissional e autocuidado, afetando diretamente a saúde física e mental das trabalhadoras. O debate também abordou a necessidade de incluir cláusulas preventivas em acordos e convenções coletivas como instrumento de proteção e flexibilização da jornada.

Nesse contexto, representantes do SUEESSOR, do Sindicato dos Químicos Unificados e do Sindicato dos Metalúrgicos reforçaram que já vêm implementando cláusulas voltadas à melhoria das condições de trabalho nos instrumentos coletivos. As entidades compartilharam experiências de negociação que possibilitaram modelos mais humanizados de jornada, incluindo regimes de trabalho em escala 5×2 sem redução salarial, como já ocorre no setor químico.

As dirigentes do SUEESSOR também ressaltaram a importância da atuação das mulheres sindicalistas nas comissões de Direito Sindical da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), destacando especialmente as subseções de Osasco e Jandira, que atualmente desenvolvem estudos aprofundados sobre jornada de trabalho e saúde do trabalhador.

Outro momento de destaque foi a apresentação feita pelas representantes do Sindicato dos Químicos Unificados sobre políticas de conscientização de gênero desenvolvidas junto aos trabalhadores homens. A iniciativa busca ampliar a participação masculina no debate sobre igualdade, saúde mental e divisão das responsabilidades familiares.

Representando a Marcha Mundial das Mulheres, Shirley Carmago enfatizou a importância de transformar essas pautas em um debate coletivo e familiar.

“Essa não é apenas uma luta das mulheres. É uma discussão sobre saúde mental, qualidade de vida, tempo, dignidade e bem-estar para toda a sociedade” – afirmou.

Durante a reunião, também foi mencionada a proposta defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionada à revisão da escala 6×1. As dirigentes do SUEESSOR avaliaram que a discussão nacional sobre modelos mais equilibrados de jornada representa um avanço importante para a proteção da saúde física e emocional dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que historicamente enfrentam maior sobrecarga.

Para as diretoras do SUEESSOR, medidas que possibilitem maior tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida podem gerar impactos positivos não apenas na saúde dos profissionais, mas também no próprio ambiente de trabalho e na produtividade.

Nádia Gebata Silva, do Sindicato dos Químicos Unificados, reforçou que o avanço dessas pautas também depende da construção de políticas públicas permanentes voltadas à proteção da saúde e valorização do trabalho feminino.

Como encaminhamento do encontro, Mônica Veloso, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, propôs a realização de dois ciclos de debates: o primeiro sobre os impactos da escala 6×1 e da NR-1 na saúde mental das trabalhadoras; e o segundo voltado ao estudo e construção de cláusulas coletivas direcionadas às mulheres, com apoio técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos – DIEESE e elaboração de um texto unificado entre as entidades participantes.

As propostas foram aprovadas pelas sindicalistas presentes, que também deliberaram pela criação de uma comissão de estudos responsável pela análise e levantamento de dados que irão subsidiar e nortear os próximos encontros, cujas datas serão divulgadas posteriormente.

Para as diretoras do SUEESSOR, esse encontro reforçou a crescente mobilização das mulheres sindicalistas da região em defesa de jornadas mais humanas, valorização do trabalho feminino e construção de ambientes laborais mais saudáveis, inclusivos e socialmente responsáveis.

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