Por Camila Mendes, Mtb nº: 74627/SP.

Após cinco meses sem a aplicação do reajuste salarial de 4,11%, garantido em Convenção Coletiva, trabalhadores recusam proposta de pagamento em oito parcelas. SUEESSOR cobra solução efetiva e participa de nova rodada de negociação nesta quinta-feira (8).
A insatisfação dos trabalhadores do Hospital Geral de Carapicuíba (HGC) ganhou força e se transformou em uma decisão coletiva na manhã desta quinta-feira (8). Reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, os profissionais rejeitaram a proposta apresentada pela Fundação do ABC, atual administradora da unidade, para quitar as diferenças salariais acumuladas desde maio e aprovaram o ESTADO DE GREVE, mantendo a categoria mobilizada até que seja apresentada uma solução concreta para o impasse.
No centro da discussão está o descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), firmada em maio deste ano, que assegura reajuste salarial de 4,11%, correspondente à reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Apesar de o reajuste estar previsto na norma coletiva, os valores ainda não foram incorporados aos salários dos trabalhadores. A Fundação do ABC atribui a situação à ausência de repasses financeiros do Governo do Estado de São Paulo.
Para o vice-presidente do Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região – SUEESSOR, Juarez Henrique de Paulo, “as dificuldades administrativas ou financeiras não podem ser transferidas aos profissionais que, diariamente, garantem o funcionamento do hospital e a assistência à população”.
PROPOSTA DE PAGAMENTO EM OITO PARCELAS É REJEITADA
Na tarde de quarta-feira (7), às vésperas da assembleia, a Fundação do ABC encaminhou ao SUEESSOR, por e-mail, uma proposta para quitar as diferenças salariais referentes ao período de maio a outubro.
Pelos termos apresentados, os valores acumulados seriam pagos em forma de abono, fora da folha salarial e parcelados em oito vezes.
A proposta foi submetida à avaliação dos trabalhadores durante a assembleia conduzida pelo vice-presidente do SUEESSOR, Juarez Henrique de Paulo, e pelo secretário-geral, Amilton Arlindo de Moura Rodrigues, com a participação dos diretores Edinaldo Alves Batista e Rogério Nunes Mendes, que também integram o quadro de trabalhadores do HGC.
A mobilização contou ainda com o apoio das diretoras Amélia Pereira Matos, Geni Santos Nascimento e Luciana Pereira Santos, da companheira Ana Paula Ravena, da assessora de sindicalização Maria Cristina Porto e com o acompanhamento jurídico do advogado do Sindicato, Dr. Flávio Bezerra.
Após a apresentação e discussão das condições oferecidas pela administradora, os trabalhadores decidiram não aceitar a proposta.
Além do parcelamento prolongado, a previsão de pagamento das diferenças por meio de abono, fora da folha salarial, levantou preocupações quanto à natureza jurídica dos valores e aos possíveis reflexos sobre outras verbas trabalhistas e previdenciárias.
Para a diretoria do SUEEESSOR, a discussão não envolve a concessão de um benefício adicional, mas o cumprimento de uma obrigação já estabelecida em negociação coletiva.
O entendimento defendido pelo Sindicato é de que reajuste salarial não pode ser tratado como concessão voluntária da empregadora, tampouco substituído por uma modalidade de pagamento que possa comprometer direitos decorrentes da remuneração.
ESTADO DE GREVE: TRABALHADORES DÃO RESPOSTA COLETIVA AO IMPASSE
A rejeição da proposta foi acompanhada de outra decisão importante: a aprovação do ESTADO DE GREVE, como resposta à ausência de uma solução para o pagamento dos reajustes salariais.
A deliberação demonstra que a categoria está disposta a intensificar a mobilização caso a Fundação do ABC não apresente condições efetivas para regularizar as pendências.
O estado de greve não representa a paralisação imediata dos serviços, mas coloca os trabalhadores em situação de mobilização e alerta, permitindo a discussão de novas medidas coletivas, observados os procedimentos legais aplicáveis.
A decisão também reforça a posição do SUEESSOR de que a negociação permanece aberta, mas não pode se transformar em uma sucessão indefinida de adiamentos.
NOVA RODADA DE NEGOCIAÇÃO AINDA NESTA QUINTA-FEIRA (8)
Mesmo diante da rejeição da proposta inicial, uma nova oportunidade de negociação foi aberta.
A pedido da própria Fundação do ABC, foi agendada ainda para esta quinta-feira (8), uma reunião on-line com representantes do SUEESSOR, destinada à apresentação de uma nova proposta para solucionar o impasse.
A expectativa é de que a administradora avance em relação às condições anteriormente oferecidas, apresentando alternativas que respeitem a Convenção Coletiva de Trabalho e garantam a regularização das diferenças salariais.
O Sindicato reafirma sua disposição para o diálogo, mas ressalta que qualquer entendimento deverá considerar não apenas o pagamento dos valores retroativos, como também a efetiva aplicação do reajuste salarial e a preservação dos direitos trabalhistas envolvidos.
Até que uma proposta satisfatória seja apresentada e submetida à avaliação da categoria, permanece a decisão dos trabalhadores pelo estado de greve.
HISTÓRICO DE COBRANÇAS: IMPASSE SE ARRASTA DESDE SETEMBRO
A assembleia desta quinta-feira não foi uma medida isolada, mas o resultado de sucessivas tentativas do SUEESSOR de solucionar administrativamente as irregularidades denunciadas.
Em 4 de setembro, após receber relatos de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho, o Sindicato encaminhou notificação extrajudicial à Fundação do ABC, cobrando a regularização dos direitos dos trabalhadores do HGC.
Entre as exigências estavam a aplicação do reajuste salarial de 4,11%, o cumprimento dos pisos salariais e a observância dos benefícios assegurados pela norma coletiva.
Diante da ausência de solução no prazo concedido, o Sindicato intensificou as cobranças, encaminhou novas notificações e buscou providências junto aos responsáveis pela administração e pelo financiamento dos serviços.
Sem a regularização das pendências, o SUEESSOR convocou a Assembleia Extraordinária de 8 de outubro, garantindo aos trabalhadores o direito de conhecer a proposta patronal, debatê-la e decidir coletivamente os rumos da mobilização.
QUEM CUIDA DA POPULAÇÃO TAMBÉM MERECE TER SEUS DIREITOS RESPEITADOS
Para o SUEESSOR, a valorização dos profissionais da saúde precisa ultrapassar os discursos e se materializar no cumprimento dos compromissos assumidos nas negociações coletivas.
São esses trabalhadores que mantêm o Hospital Geral de Carapicuíba em funcionamento, enfrentam os desafios cotidianos da assistência hospitalar e asseguram atendimento à população. Não é razoável que, enquanto cumprem suas responsabilidades, permaneçam aguardando indefinidamente o pagamento de direitos já conquistados.
O Sindicato reforça que a responsabilidade pela solução do impasse não pode recair sobre os profissionais, que não participam das decisões administrativas e financeiras envolvendo a gestão da unidade.
O SUEESSOR seguirá acompanhando as negociações, cobrando respostas e mantendo a categoria informada e mobilizada.
ATUALIZAÇÃO , 8 DE OUTUBRO DE 2026, às 13H30
FUNDAÇÃO DO ABC ANUNCIA NOVA PROPOSTA ATÉ TERÇA-FEIRA (13); TRABALHADORES DO HGC PERMANECEM EM ESTADO DE GREVE
Após a decisão dos trabalhadores do Hospital Geral de Carapicuíba (HGC) de rejeitar a proposta de pagamento das diferenças salariais em oito parcelas e aprovar o estado de greve, o SUEESSOR participou, ainda nesta quinta-feira (8), de uma reunião on-line com representantes da Fundação do ABC, atual administradora da unidade.
Durante o encontro, o Sindicato comunicou oficialmente a decisão tomada pela categoria em Assembleia Geral Extraordinária, reforçando que os trabalhadores não aceitaram as condições apresentadas para a quitação das diferenças salariais acumuladas desde maio.
Diante da posição da categoria, a Fundação do ABC informou que apresentará uma nova contraproposta até a próxima terça-feira (13), que será encaminhada para avaliação e deliberação dos trabalhadores em nova assembleia.
A data e o horário da assembleia serão definidos assim que o Sindicato receber a nova proposta e comunicados previamente aos profissionais do HGC.
Para garantir transparência e manter os trabalhadores informados, o SUEESSOR também produziu um vídeo com os encaminhamentos da reunião, divulgado no grupo de WhatsApp da categoria.
O secretário-geral do Sindicato, Amilton Arlindo de Moura Rodrigues, ressaltou a importância de os trabalhadores permanecerem unidos e mobilizados, destacando que a participação da categoria será fundamental para fortalecer as negociações e assegurar o cumprimento dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho.
Até que uma nova proposta seja apresentada, discutida e deliberada pelos trabalhadores, permanece a decisão coletiva pelo ESTADO DE GREVE.
O SUEESSOR reafirma sua disposição para o diálogo, mas reforça que a solução do impasse deve garantir a aplicação do reajuste salarial de 4,11%, a regularização das diferenças acumuladas e a preservação dos direitos trabalhistas.
A mobilização continua. A decisão permanece nas mãos dos trabalhadores!