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O VALOR É R$ 1.476,00 PARA QUEM CUIDA DA SAÚDE: TRABALHADORES DA HAPVIDA APROVAM ESTADO DE GREVE E COBRAM O FIM DOS SALÁRIOS ABAIXO DO MÍNIMO ESTADUAL

Por Camila Mendes, Mtb nº: 74627/SP.

Categoria organizada pelo SUEESSOR rejeita proposta de reajuste inferior à inflação e autoriza medidas jurídicas e sindicais para garantir a valorização dos profissionais da saúde

A manhã de segunda-feira (06) marcou um importante capítulo da campanha salarial dos trabalhadores da HAPVIDA/NOTREDAME INTERMÉDICA. Reunidos em Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região – SUEESSOR, os trabalhadores aprovaram, a decretação do ESTADO DE GREVE, em resposta à proposta apresentada pela empresa durante as negociações coletivas.

A deliberação alcança os trabalhadores do Hospital Cruzeiro do Sul (Osasco), Unidade Avançada Osasco, Hospital Nova Vida (Itapevi), Hospital Family (Taboão da Serra), Pronto-Socorro Cotia e Pronto-Socorro Barueri, fortalecendo a mobilização da categoria por valorização profissional, respeito aos direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho.

A decisão foi motivada, principalmente, por dois fatores considerados inaceitáveis pelos trabalhadores: a manutenção de salários inferiores ao salário mínimo estadual paulista e a apresentação de um reajuste abaixo da inflação, o que representa perda do poder de compra para profissionais que diariamente garantem o funcionamento dos serviços de saúde.

SALÁRIO DE R$ 1.476,00 INDIGNA A CATEGORIA

Entre os principais pontos de revolta está a remuneração paga a parte dos trabalhadores da recepção, que atualmente recebem R$ 1.476,00 (um mil, quatrocentos e setenta e seis reais), valor inferior ao salário mínimo estadual.

São profissionais responsáveis pelo acolhimento de pacientes e familiares, organização do fluxo de atendimento, prestação de informações e apoio ao funcionamento das unidades de saúde, desempenhando um papel essencial no atendimento à população.

Para o vice-presidente do SUEESSOR, Juarez Henrique de Paulo, a situação é inadmissível.

“Quem consegue sobreviver com R$ 1.476,00 por mês? Estamos falando de trabalhadores que ajudam a manter hospitais funcionando, recebem pacientes todos os dias e exercem uma atividade essencial. Ainda assim, recebem menos do que determina a legislação paulista. Isso precisa ser corrigido imediatamente.”

Segundo o Sindicato, a reivindicação vai além da negociação de índices salariais. Trata-se de exigir o cumprimento da legislação e assegurar condições mínimas de dignidade para profissionais responsáveis por uma atividade essencial.

REAJUSTE ABAIXO DA INFLAÇÃO É REJEITADO

Outro ponto que motivou a aprovação do ESTADO DE GREVE foi a proposta econômica apresentada pela empresa.

Na avaliação do SUEESSOR, conceder reajuste inferior à inflação significa impor perda salarial justamente em um período marcado pelo aumento do custo de vida. A entidade também considera insuficientes os índices propostos para benefícios como cesta básica e auxílio-creche, distanciando ainda mais a proposta patronal da realidade enfrentada pelos trabalhadores.

SUEESSOR MOBILIZOU A CATEGORIA DURANTE TODA A NEGOCIAÇÃO

Antes da assembleia, o Sindicato promoveu uma intensa mobilização nas unidades da HAPVIDA. Durante vários dias, dirigentes sindicais permaneceram em frente aos hospitais dialogando com os trabalhadores, esclarecendo dúvidas, apresentando cada etapa das negociações e prestando total transparência sobre as propostas discutidas com a empresa.

Após a apresentação do cenário das negociações, a assembleia aprovou o ESTADO DE GREVE, com efeitos imediatos, além da manutenção da mobilização durante todo o período de tramitação da ação coletiva que será ajuizada pelo Departamento Jurídico do SUEESSOR.

A categoria deixou claro que permanece aberta ao diálogo, mas não aceitará propostas que representem desvalorização profissional, descumprimento da legislação e redução do poder de compra.

DIRETORIA, JURÍDICO E APOIO DE OUTRAS ENTIDADES

Representando o SUEESSOR participaram da assembleia o vice-presidente Juarez Henrique de Paulo, o secretário-geral Amilton Arlindo de Moura Rodrigues, os diretores Edinaldo Alves Batista e Rogério Nunes Mendes, além das diretoras Geni Santos do Nascimento e Luciana Pereira Santos.

Pelo Departamento Jurídico estiveram presentes a coordenadora Dra. Lilian Bisaro e o advogado Dr. Flávio Bezerra, que acompanharão as medidas judiciais aprovadas pela categoria.

A mobilização também contou com o apoio do SinSaúde Sorocaba, representado pelo vice-presidente Pablo Pistil e pelos diretores Hugo dos Santos (Boto) e Rubens Kirilo, reforçando a união do movimento sindical em defesa dos profissionais da saúde.

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO

Após o término da assembleia, realizada inicialmente na entrada destinada aos funcionários, os representantes do Sindicato, foram para a entrada principal da unidade de Osasco, onde distribuiram uma Carta Aberta à População, explicando os motivos da mobilização.

O documento esclareceu que eventuais reflexos pontuais no atendimento decorreram exclusivamente da realização da atividade sindical e reforçou que o movimento jamais foi contra os pacientes.

Ao contrário, destacou que trabalhadores valorizados, respeitados e submetidos a condições dignas de trabalho oferecem uma assistência mais segura, humanizada e eficiente, beneficiando toda a sociedade.

A LUTA CONTINUA

Para o SUEESSOR, a campanha salarial vai muito além da discussão de percentuais. A entidade continuará defendendo:

  • Reajuste salarial acima da inflação, com ganho real;
  • Valorização dos pisos salariais;
  • Correção imediata dos salários inferiores ao mínimo estadual;
  • Aumento digno da cesta básica;
  • Reajuste adequado do auxílio-creche;
  • Valorização efetiva dos profissionais da saúde;
  • Melhores condições de trabalho.

Ao encerrar a assembleia, o secretário-geral Amilton Arlindo de Moura Rodrigues reafirmou que o Sindicato permanecerá mobilizado até que os trabalhadores sejam efetivamente valorizados.

“Nossa luta vai muito além de índices econômicos. Estamos defendendo respeito, dignidade e reconhecimento para quem dedica a vida ao cuidado da população. Não é aceitável que profissionais essenciais recebam menos do que determina a legislação e continuem acumulando perdas salariais. Valorizar esses trabalhadores é fortalecer a qualidade da assistência prestada à sociedade, e o SUEESSOR continuará atuando em todas as frentes até que essa realidade seja transformada.”

Com a aprovação do Estado de Greve, a campanha salarial entra em uma nova fase. O SUEESSOR seguirá mobilizando a categoria, acompanhando as negociações e adotando todas as medidas necessárias para assegurar que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados e que a valorização profissional deixe de ser apenas uma promessa para se tornar uma realidade.

 

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