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DIVERSIDADE TAMBÉM É UMA QUESTÃO DE CLASSE: SUEESSOR PARTICIPA DO 4º FÓRUM COEXISTIR

Por Camila Mendes, Mtb nº: 74627/SP.

Na foto: o escritor, Jessé de Souza, e o presidente do SUEESSOR, Antonio Gervásio Rodrigues.

Encontro reuniu lideranças para discutir inclusão, diversidade e mundo do trabalho e teve entre os palestrantes o sociólogo e escritor Jessé Souza, autor de obras que provocam uma reflexão sobre desigualdade e as estruturas sociais brasileiras

Falar de diversidade e inclusão exige ir além da abertura de oportunidades. Exige compreender por que, historicamente, essas oportunidades nunca foram distribuídas da mesma maneira para todos.

Foi com esse olhar que o presidente do Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região – SUEESSOR, Antonio Gervásio Rodrigues, acompanhado pelo assessor Vinicius Gonçalves, participou do 4º Fórum Coexistir de Diversidade e Inclusão, realizado no auditório do SIEMACO, em São Paulo.

Com o tema “Transformando pessoas, organizações e a sociedade”, o encontro colocou em debate inclusão, diversidade, empregabilidade e respeito às diferenças, aproximando essas discussões do mundo do trabalho. Entre os palestrantes estiveram o sociólogo e escritor Jessé Souza e o especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão Filipe Roloff.

Para Antonio Gervásio, a participação ganhou um significado especial. Leitor assíduo das obras de Jessé Souza, o presidente do SUEESSOR teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o escritor e acompanhar sua participação no Fórum.

Mais do que a admiração pelo autor, porém, são as questões levantadas por seus livros que aproximam sua produção intelectual dos debates enfrentados diariamente pelo movimento sindical.

QUEM TEM ACESSO ÀS OPORTUNIDADES?

Entre as obras destacadas por Antonio está “A Classe Média no Espelho”, na qual Jessé Souza propõe uma leitura da classe média brasileira que ultrapassa a simples divisão da sociedade por faixas de renda.

O livro procura compreender como essa classe se constituiu, quais valores influenciam seu comportamento e como fatores como socialização familiar, acesso ao conhecimento, valores, condições econômicas e heranças materiais e imateriais interferem na posição ocupada pelos indivíduos na sociedade. A obra foi construída também a partir de centenas de entrevistas com diferentes segmentos da classe média brasileira.

Essa discussão encontra um ponto importante com a proposta do Fórum Coexistir: as pessoas não chegam ao mercado de trabalho partindo do mesmo lugar.

Acesso à educação, formação profissional, redes de relacionamento, tempo para estudar, condições familiares, renda e oportunidades acumuladas ao longo da vida ajudam a determinar quem consegue avançar e quem precisa enfrentar obstáculos muito maiores para alcançar o mesmo espaço.

Para Antonio Gervásio, essa é uma reflexão que precisa estar presente quando se fala em diversidade.

“A inclusão não pode ser pensada apenas a partir do momento em que uma pessoa chega à empresa. Precisamos olhar para tudo o que aconteceu antes disso: quem teve oportunidade de estudar, de se preparar, de escolher uma profissão e quem precisou lutar muito mais para chegar ao mesmo lugar. Quando entendemos essas diferenças, começamos a discutir inclusão de maneira muito mais profunda” – destacou o presidente do SUEESSOR.

AS RAÍZES DA DESIGUALDADE

Outra obra destacada pelo presidente foi “A Elite do Atraso”, um dos trabalhos mais conhecidos de Jessé Souza. No livro, o sociólogo apresenta sua interpretação sobre a formação da desigualdade brasileira e coloca a herança da escravidão no centro da análise da sociedade e das relações entre as classes. Souza procura demonstrar como estruturas históricas de poder, concentração de riqueza e reprodução de privilégios continuam influenciando o Brasil contemporâneo.

Trazer essa discussão para um encontro dedicado à diversidade amplia o próprio significado da palavra inclusão.

Não basta reconhecer que existem diferenças. É necessário compreender por que determinadas parcelas da população continuam encontrando mais dificuldades para acessar educação, emprego, renda, posições de comando e reconhecimento profissional.

É justamente nesse ponto que diversidade, desigualdade e relações de trabalho se encontram.

INCLUSÃO PRECISA CHEGAR AO MUNDO DO TRABALHO

A realização do Fórum dentro de um espaço sindical reforçou outra dimensão importante do encontro: diversidade e inclusão também são pautas trabalhistas.

Na abertura do evento, representantes do SIEMACO defenderam justamente a aproximação desse debate com o mundo do trabalho e com a atuação sindical. Para o SUEESSOR, essa discussão passa pela construção de ambientes profissionais capazes não apenas de contratar pessoas com características diferentes, mas de assegurar acesso, respeito, permanência, desenvolvimento profissional e igualdade de oportunidades.

Isso significa olhar para trabalhadores com deficiência, mulheres, pessoas negras, diferentes gerações e demais grupos que historicamente enfrentam barreiras no acesso e na permanência no mercado de trabalho, mas também compreender as desigualdades econômicas e sociais que atravessam todas essas realidades.

Nesse sentido, o debate proposto pelo Fórum Coexistir dialoga diretamente com o papel contemporâneo das entidades sindicais. Defender o trabalhador não significa olhar apenas para salário e jornada. Significa também discutir quais condições permitem que diferentes pessoas ingressem no mercado de trabalho, permaneçam nele, tenham seus direitos respeitados e encontrem oportunidades reais de crescimento.

Para Antonio Gervásio, conhecer pessoalmente um autor que há anos acompanha por meio dos livros tornou a participação ainda mais significativa.

“Sou leitor do Jessé há bastante tempo e foi uma honra poder conhecê-lo pessoalmente. Mas o mais importante é aquilo que a leitura provoca. Um bom livro faz a gente questionar aquilo que muitas vezes parece normal. E, para quem representa trabalhadores, compreender como a desigualdade se forma e se reproduz é fundamental para pensar também como podemos enfrentá-la.”

O 4º Fórum Coexistir deixa, assim, uma reflexão que ultrapassa os limites do auditório: uma sociedade verdadeiramente diversa não é apenas aquela em que diferentes pessoas conseguem entrar pela mesma porta. É aquela que trabalha para que a origem social, o gênero, a raça, a deficiência ou qualquer outra diferença não determinem até onde cada pessoa poderá chegar.

Para o SUEESSOR, transformar organizações e a sociedade passa necessariamente por esse caminho: compreender as desigualdades para construir relações de trabalho mais justas, inclusivas e capazes de garantir oportunidades reais para todos.

 

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